Mensagem do Diretor Presidente
O estado do Rio de Janeiro, em especial a sua capital, vive nos últimos anos um consistente processo de retomada do crescimento econômico, da autoestima e da cidadania. A Light tem orgulho de ser protagonista nesse processo, que exige a compatibilização do senso de responsabilidade social com resultados empresariais. O investimento nas redes elétricas das áreas abrangidas pelas Unidades de Polícia Pacificadora, as chamadas UPPs, é um exemplo desta compatibilização: alia melhoria da qualidade do serviço com o aumento da receita, resultante da diminuição das perdas e da inadimplência. É bom para a população e é bom para os acionistas.
Em 2011, regularizamos o fornecimento de mais de 20 mil famílias que moram nessas áreas. Não é tarefa fácil. Significa estender redes aéreas em locais de difícil acesso, desenvolver soluções adequadas à topografia do local e que também permitam a normalização do consumo e contribuam para a integração urbana dessas comunidades. Em 2011, foram construídos 79 km de redes aéreas de baixa e média tensão e instalados 550 km de ramais. Realizamos, também, diversas ações de eficiência energética nessas localidades, inclusive troca de lâmpadas e de geladeiras, sem ônus para os moradores.
A consistência e a robustez do desenvolvimento econômico e social do Rio de Janeiro se fazem sentir também no comportamento do mercado de energia elétrica. O consumo de energia elétrica no Rio de Janeiro, que sempre foi bastante sensível à temperatura, teve um crescimento de 2,5 % em relação a 2010, embora 2011 tenha sido um ano significativamente mais frio que o anterior, o que demonstra as boas perspectivas da economia local. A prosperidade em nossa área de concessão reflete-se na estabilidade de nossos resultados financeiros, reforçando a sustentabilidade do nosso negócio.
Mas o ano de 2011 foi caracterizado, principalmente, pela superação de grandes desafios. O primeiro semestre foi marcado por recorrentes incidentes em nossas instalações subterrâneas, o que demandou um esforço adicional para garantir a segurança e qualidade do serviço. Nesse contexto, pude verificar o engajamento de toda a força de trabalho. As equipes trabalharam com foco e determinação na solução dos problemas e no resgate da imagem da Companhia. Durante o processo, foi fundamental o protagonismo de muitos que trouxeram para si a responsabilidade de realizar mais do que o habitual e exigiram o mesmo dos que estavam a sua volta. No mesmo diapasão, nossos acionistas, representados pelo Conselho de Administração, foram ágeis na reação, promovendo o aumento do volume de investimentos e disponibilizando recursos necessários para a recuperação do sistema.
Ao longo do período de busca por soluções para os incidentes do subterrâneo, observou-se que o mapeamento das infraestruturas da Light e demais companhias que compartilham o subsolo da Cidade do Rio de Janeiro precisava de atualização e informatização. Nesse sentido, firmamos um convênio com a Prefeitura e demais concessionárias de serviço público, que possuem instalações no subsolo, para o mapeamento digital do subsolo. A integração dos registros vai produzir uma ferramenta de gestão para permitir intervenções mais eficazes e evitar que as obras de uma concessionária danifiquem estruturas já existentes das outras.
Mas não foi só o sistema subterrâneo que mereceu nossa atenção. Desenvolvemos também o georreferenciamento das redes de baixa tensão e a renovação da rede aérea. Durante 2011, avançamos na implantação da medição eletrônica e no desenvolvimento de sistemas de controle inteligentes, chamados SmartGrids. Participamos também do planejamento da rede elétrica para atender aos grandes eventos programados para o Rio de Janeiro (Rio+20, em 2012; Copa das Confederações, em 2013; Copa do Mundo FIFA, em 2014; Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, em 2016) em conjunto com os principais organismos setoriais (MME, ONS, EPE, Furnas e COI).
Criamos o Centro de Controle de Serviços (CCS), que reduz a necessidade de fiscalização em campo por meio de um sistema único de monitoria e controle centralizado, além de promover um maior monitoramento na utilização de equipamentos de segurança e viaturas. Implantamos o computador portátil - PDA (Personal Digital Assistant), integrado ao sistema corporativo da companhia - e com ele foi possível a atualização online das informações das notas de serviço e monitoramento das equipes em campo, direcionando-as mais rapidamente aos atendimentos de urgência. Contratamos 276 agentes de relacionamento com os consumidores para entregar as faturas de energia elétrica e prover um canal a mais de comunicação, além do tradicional Call Center e das mensagens SMS. Aliás, a Light ficou em 1º lugar na Pesquisa da Revista Exame/IBRC de Atendimento ao Cliente 2011, no ranking setorial de energia.
Continuamos contribuindo para o aperfeiçoamento do arcabouço regulatório, especialmente no processo de audiência pública, que culminou com a aprovação pela ANEEL das metodologias e dos critérios gerais para o 3º Ciclo de Revisões Tarifárias Periódicas das distribuidoras de energia elétrica, que ocorrerá entre 2011 e 2014.
Negociamos o maior volume de energia vendida no mercado livre desde a criação da Light Esco, comercializadora do Grupo Light. Ao todo foram 1.620 GWh comercializados em 2011, 35% acima do ano anterior. Esta conquista se torna ainda mais especial tendo em vista o cenário internacional adverso e a consequente queda na demanda de energia de grandes clientes livres. Conquistamos importantes clientes como shopping centers e finalizamos o acordo de implantação de uma planta de cogeração na fábrica da Coca-Cola em Jacarepaguá. Negociamos com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, juntamente com a EDF, a construção de uma usina solar fotovoltaica na cobertura do Estádio do Maracanã.
Como sempre, mantivemos o nosso parque gerador em excelentes condições operativas. Além disso, compramos 26% da Renova (uma companhia especializada em energias renováveis), com o objetivo de aumentar a capacidade de geração do Grupo Light, adquirir experiência na utilização da energia eólica e avançar na inserção do Grupo no segmento não regulado do Setor Elétrico. Na mesma linha de raciocínio, adquirimos uma participação minoritária na usina hidrelétrica de Belo Monte, com o objetivo de nos posicionarmos entre as companhias atuantes na construção de novas usinas hidrelétricas de grande porte na Região Norte, com boa relação benefício-custo. Avançamos na construção da usina de Paracambi, cuja inauguração ocorrerá no primeiro semestre de 2012, e atuamos intensamente em parceira com a Cemig, no esforço de viabilizar a construção da usina de Itaocara.
Apostamos no aperfeiçoamento de nossa força de trabalho, formada não apenas pelos nossos empregados, mas também pelos empregados das companhias parceiras. Nesse sentido, iniciamos o projeto de certificação de eletricistas e técnicos de nossas terceirizadas, formamos 124 novos eletricistas, em cinco turmas, duas das quais formadas exclusivamente por moradores de UPPs, e realizamos o Programa de Desenvolvimento dos Empregados (PDE) com o tema “todos no mesmo compasso”. Mobilizamos 3.500 empregados, em 35 turmas, além de 450 familiares de empregados, com a finalidade de disseminar os conceitos apresentados no PDE para além do ambiente profissional.
Apesar desse esforço profissionalizante, não temos o que comemorar no item “segurança do trabalho” porque tivemos muitos acidentes, alguns fatais. Como não podemos nos conformar com essa situação, criamos uma comissão de gestores de diferentes áreas para realizar um benchmarking nas companhias do setor e identificar as melhores práticas de capacitação e treinamento, não apenas para os empregados da Light, mas também das companhias parceiras. Ao longo de 2012, iniciaremos a implementação dessas práticas, que demandam um contínuo trabalho orientado para a mudança cultural da Companhia.
Observou-se ao longo do ano uma valorização de 24,8% no valor das ações da Light. Percentual bem superior à variação do índice Ibovespa (-18,1%) e do índice das companhias de energia elétrica, IEE (+19,7%). Ao final do ano, 32,85 % das ações da Companhia estavam em poder de acionistas minoritários (além do BNDESPar, com 15,02% das ações).
Os investimentos nas atividades de geração, distribuição e corporativas foram de R$ 931,0 milhões. Trata-se de um recorde histórico. Os dividendos e juros sobre capital próprio declarados ao longo do ano somaram R$ 556 milhões. O quadro abaixo resume as principais variações dos resultados de 2011 em relação aos de 2010.
Principais indicadores de 2011 e comparação com 2010
Consumo Total de Energia: 22.932 GWh , 2,5% maior
Receita Líquida: R$ 6.150,0 milhões, 3,3% maior
EBITDA: R$ 1.243,6 milhões, 21,5% menor
Lucro Líquido: R$ 310,6 milhões, 46,0% menor
Perdas não Técnicas (furto): 40,5%), 1,3 pp menor
Taxa de arrecadação: 97,4%, 0,5 pp menor
Dívida Líquida: R$ 3.575,4 milhões, 83,6% maior
Superamos muitos desafios, mas sabemos que ainda há muito por fazer. Devemos perseverar na busca da sustentabilidade, da excelência na prestação de serviço e na criação de valor para nossos acionistas. Reafirmamos nosso compromisso com o desenvolvimento econômico e social do Rio de Janeiro e sabemos que só poderemos cumprir essa responsabilidade se pudermos contar com uma força de trabalho altamente capacitada e motivada. Este relatório, ao descrever nossas ações em 2011, traduz esses compromissos.
Jerson Kelman
Diretor Presidente










